Nesses últimos dias algumas reportagens estão ganhando espaço nos jornais, pelo menos aqui em Goiânia, abordando a incapacidade do estado, em todas as suas dimensões, de resolver o problema do adolescente, do jovem, que comete delitos, mostrando assim a incapacidade do estado em recuperar esses jovens.
Porém, ao ir à algumas escolas, conversar com educadores, pais e pessoas que trabalham com jovens e adolescentes, percebo que essa realidade é bem pior, porque as reportagens estão abordando somente aqueles que cometerem crimes, transgressões, mas e o restante dessa geração?
Tenho a impressão que essa geração perdeu a esperança com relação ao futuro, não há sonhos, não há perspectiva de uma vida melhor. E essa não é somente uma realidade daqueles que são "transgressores", mas dos nossos adolescentes e jovens.
Tenho me perguntado: quais são as causas dessa falta de esperança? aonde essa realide irá nos levar? quais são os referenciais dessa geração, se há? Creio que os questionamentos são tantos, que poderiamos ficar alguns dias levantando-os, porém, a pergunta que vem ao meu coração é: como mudar essa realidade? como posso contribuir para a mudança dessa realidade? Creio que precisamos ter algumas atitudes.
1. Perceber que podemos ter um papel ativo para a transformação da cidade;
2. Perceber que não são só os "transgressores" que vivem sem perspectiva;
3. Perceber que nós temos uma parcela de culpa nessa situação, pois, muitas vezes nossas vidas estão desestruturada, nossas famílias estão desestruturadas e carentes de restauração e cura;
4. Perceber que a cidade têm as suas lutas, tais como: anonimato (Solidão é indubitavelmente um sério problema na cidade), alienação (falta de intimidade e distanciamento nos grandes centros e grupos), isolamento (Alguém por perto não significa "proximidade"), despersonalização (Individuo tratado como número e coisa. A Bíblia diz que mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, mas na cidade, mais vale um bom número), pobreza, promiscuidade e desencorajamento, ausência de sentido (ambiente competitivo e baseado em desempenho), entre outros;
5. Perceber que Deus, em Cristo Jesus, ama a cidade e tem um projeto para ela, então, o meu desafio é expressar a minha fé, o meu relacionamento com Deus também no meu relacionamento com a cidade.
Tenho refletido muito sobre isso nos últimos dias, creio que tenho muito a pensar ainda, mas isso tem me assutado muito: há uma geração que não sonha mais. Martin Luther King Jr, em um dos seus discursos mais famosos, dizia: "Eu tenho um sonho..." O sonho dele era ver o fim da segregação racial nos EUA. Nos anos 80 as bandas de rock traziam em suas músicas questionamentos que mostravam que eles sonham com um país melhor, como o Legião Urbana "Que país é esse?..." Mas, hoje eu não consigo ver isso nas músicas, nos filmes, nos livros, enfim, vejo poucos sinais de sonho e de esperança.
Porém, uma coisa eu tenho certeza, entre as minhas tantas dúvidas: eu nunca quero deixar de sonhar, eu nunca quero deixar de ter esperança.
Quero compartilhar contigo alguns inquietações do meu coração com relação a cidade onde vivo, mas acho que expressam a realidade de todas as cidades.
Um abraço....
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